terça-feira, 9 de março de 2010

TENTAÇÃO


Significado da palavratraicao
Segundo o Dicionário Teológico - É o estimulo que pode levar a pratica do pecado. Ela em si não constitui pecado, porém atender as suas reivindicações caracteriza a transgressão da Lei de Deus (Claudionor Correia de Andrade);
Dicionário Aurélio – Disposição de ânimo para a prática de coisas diferentes ou censuráveis. Desejo veemente.
 John Owen disse em seu livro - “Cair na tentação é experimentar a tentação na sua forma mais poderosa e perigosa”.
 Segundo a Enciclopédia de Filosofia e Teologia de R. N. Champlin – Existe uma palavra hebraica e duas gregas envolvidas neste verbete:
“Massah” palavra hebraica que significa: teste, provação.

“Peiramós” palavra grego que significa: prova, teste e aparece vinte vezes na Bíblia Sagrada.
“Peirázo” palavra grega que significa: testar, submeter à prova. Aparece trinta vezes na Bíblia Sagrada.
Na verdade tentação no grego significa “Peirasmos” ou seja, a tentação para prática do mal.

O perigo da tentação
A tentação a que nos referimos nada tem a ver com uma prova comum do dia a dia ou enviada por Deus a fim de nos testar. Estamos falando da inclinação para o mal. Estamos falando do lado moral e não amoral da questão, é a incitação ao pecado.
Não são as tribulações descritas nas páginas sagradas. É o envolvimento moral no mundo que quebra as leis de Deus.
Assim como o diabo teve a permissão divina para tentar a Jesus no deserto, ele recebe tal autorização também para nos tentar. Além da liberação de Deus, Satanás também recebe o nosso próprio consentimento.
Paulo esclarece que toda tentação é humana. Elas pertencem aos homens, são comuns ao seu nível. São experiências terrenas.
É necessário exercermos a autodisciplina para não sermos vitimados pela tentação. Todos os homens do passado e do presente sofreram e sofrem todo tipo de tentação. Não existe uma tentação acima de nossa capacidade de vencer. Deus não deixa que elas ultrapassem o limite de nossas energias e muito menos que elas nos nocauteiem de forma que venhamos a morrer espiritualmente: “Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana: mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação, dará também o meio de saída, para que possais suportar” (I Co. 10:13).
O que Paulo nos ensina nesse texto é que o caráter de Deus proíbe que a tentação ultrapasse o limite estabelecido por Ele. O tentador está debaixo do controle de Deus que conhece a nossa estrutura: “Deus conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Sl. 103:14).
Paulo ainda nos ensina que mediante as tentações podemos galgar elevado índice de aceitação perante Deus se nos mantivermos fieis por toda vida, se conseguirmos lutar contra as tentações. Se utilizarmos nossa capacidade de reconhecer Deus em meios as tentações, seremos aprovados e reconhecidos como heróis dessa grande batalha que envolve carne e diabo.
Paulo ainda nos ensina que só Deus é digno de confiança, que por mais forte que sejam as tentações sempre haverá alguém para interferir em nosso favor.
Jó é o exemplo mais clássico que temos na Bíblia. As tentações mais severas de Jó duraram um ano e meio mais o menos. No entanto Jó admitiu que só enxergou Deus no meio dessas lutas que pareciam não ter fim. No final de sua grande batalha ele afirmou: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem” (Jó 42:5).
Para que Jó chegasse a esse ponto, ele precisou descobrir algumas verdades sobre sua própria vida:
  • Primeiro| Subjugar sua auto-suficiência: Ele teve que admitir que tudo que ele tinha era de Deus e que nada lhe pertencia, que era mordomo de Deus para cuidar de seus negócios: “Disse Jó, nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).
  • Segundo| Deus está acima de tudo: Jó teve que entender que a soberania de Deus é inquestionável e que a despeito de tentações e provas jamais podemos pecar contra Ele: “Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó. 1:22).
É bom estarmos cientes que Deus antes de permitir uma tentação, primeiro aposta em nós e declara o nosso valor perante Satanás: “Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1:8).
Veja que o tentador já estava a observar Jó, mas ele não cedeu a nenhuma tentação e por isso Deus disse que ele era temente e se desviava do mal. A tentação se aproximava, mas ele sabia o atalho. Jó sabia enxergar uma cruz que bloqueava o caminho da tentação: “Porque eu sei que o meu redentor vive e que por fim se levantará sobre a face da terra” (Jó. 19.25).
O diabo subestimou Jó, ele achava que a fortuna e saúde eram a única expressão de gratidão de Jó a Deus.
Jó demonstrou isso ao afirmar: “Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne, verei a Deus” (Jó 19:26).
Essas palavras doeram nos ouvidos do tentador, pois para ele Jó estava derrotado, porém ele se levanta do pó, ergue a cabeça, desafia Satanás e professa mais uma vez a sua fé em seu Redentor.
Satanás não nos tem em grande conta, e muitos têm sido vitimados por ele exatamente porque o que os prendia a uma adoração suprema a Deus, era sua herança e saúde. Hoje existem várias igrejas especializadas em promover curas e milagres para que as pessoas tenham uma religião e não Deus em suas vidas. O Evangelho que pregamos é um Evangelho que cura, mas que salva também. Se a cura promove salvação amém, caso contrário estaremos lançando semente em terreno ruim: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Isaías 53: 4,5)
A tentação não transcende a nossa vontade, porém somos de forma especial ajudado pelo Espírito Santo a vencer tais ameaças.
As tentações servem para nos colocar como intermediários e como prova procedente do julgamento divino contra Satanás. Ao sermos tentados pelo diabo, Deus declara guerra contra o seu arquiinimigo lançando em seu rosto o valor de seus adoradores: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai nem espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4: 23,24).
Quando o diabo consegue nos convencer por meio da tentação, nossas forças espirituais são minadas levando-nos na lona.
Paulo diz, que mesmo na lona é possível desmascarar a Satanás. O espinho na carne de Paulo era um mensageiro de Satanás. Isso incomodava a Paulo, porém orando a resposta de Deus foi imediata: “Por causa disto, três vezes orei pedindo ao Senhor que o afastasse de mim. Então, Ele me disse: a minha graça de basta porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.
Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injurias, nas necessidades, nas perseguições, nas angustias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, é que sou forte” (I Co. 12:8-10).
Entendo da seguinte forma essa informação de Paulo: É como se Deus estivesse dizendo para Paulo: “Com espinho, ou sem espinho, minha graça de basta”. O espinho no caso de Paulo era um canal de bênção também, pois ele fazia Paulo se vergar diante de Deus. Aquele espinho fazia Paulo reconhecer que sua auto-suficiência não lhe traria paz. Só a graça de Deus.
Para Satanás isso é uma derrota tremenda. O homem estava na lona e ainda devotava louvor a Deus por essa situação. Como podemos adorar a Deus em meio aos bofetes do diabo? Como podemos honrar a Deus em meio aos ataques do diabo?
Os verdadeiros adoradores não se abatem em meio à dor, pelo contrário se erguem das cinzas e admitem que mesmo no meio do caus o único que merece adoração é Deus.

Pr. Elias de Andrade

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